sábado, 17 de agosto de 2013

Ovelhas ou raça de víboras? O que realmente somos?

Nestes tempos de pós-modernidade, alguns que se dizem crentes reivindicam ao seu favor o direito de serem carregados nos ombros e o dever dos pastores de assim fazê-lo. Esquecem-se, entretanto, de fazer uma imprescindível reflexão se na verdade, ao invés de ovelhas, não são  alguma espécie de raça de víboras.
Mateus 3:7b “... dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?

Foto http.repteis.mundoentrepatas.comviboras.htm
Para quem gosta de analogias, sabe-se, por sua vez, que víboras não se carrega nos braços e nem se conduz a aprisco, sob pena de se sofrer o contágio dos seus venenos conforme (Marcos 8:5).  Ao contrário, raça de víboras devem ser instadas a irem ao deserto e alertadas sobre a ira que lhes aguarda, fazendo-se necessário que saibam que quem cuida não deve ir a elas e sim elas irem a quem as expõe.
Marcos 1:5 E toda a província da Judeia e os de Jerusalém iam ter com ele...”

Para gente assim semelhante as do tempo de João Batista, como Herodes, Herodias e todos os círculos de seus convívios, não cabem palavras de afago, porém de denúncia de suas más obras; uma voz que clame no deserto, que grite à sua consciência.

Da mesma forma, não diferentemente daqueles tempos, as pessoas hoje, ao invés de quererem ser mimadas precisam ser confrontadas em seus anseios de serem carregadas sem serem transformadas.
httpjornalmontesclaros.com

A propósito, até as ovelhas somente devem ser carregadas se estiverem feridas e impedidas de serem guiadas mansamente a águas tranquilas, a pastos verdejantes e a vereda da justiça. Ovelhas devem ser levadas a deitarem-se em pastos verdes - um sinal de que até então deveriam estar andando e não, sobrecarregando o pastor, que por sua vez tem a nobre e desgastante tarefa de: cuidar delas e guiá-las, fazendo-as chegar ao destino.
Salmos 23:1-3 O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome”.
Assim sendo, afirmo que ovelhas devem caminhar com as próprias forças que lhe são concedidas pela robustez do pastoreio, afim de que não se tornem indesejavelmente obesas, incorrendo na falha de avantajarem-se sobre as  mais fracas, ou se tornem inoportunas na condução do rebanho, podendo vir assim, ainda que sendo ovelhas, consequentemente, serem censuradas pelo seu pastor. Senão vejamos as palavras do próprio Pastor de Israel: 
Ezequiel 34:20 Por isso o Senhor DEUS assim lhes diz: Eis que eu, eu mesmo, julgarei entre a ovelha gorda e a ovelha magra.
E é exatamente por isso que não creio em princípios darwinistas de seleção das espécies e nem nietzschianos semelhantes; não creio em super-ovelhaprefiro ficar com os ensinamentos do Supremo Pastor de que exista provisão igualmente para todos. 
   
Mas e ainda quanto as víboras? Há quem afirme que as mesmas sejam surdas; posso a esta altura então afirmar: embora o veneno do humanismo continue a ensurdecer a alguns nos tempos em que vivemos, a voz continua clamando no deserto e asseverando que: “O homem não é a medida de todas as coisas, não! - O antigo filósofo Protágoras se enganou redondamente”.  
   
Ovelha sendo tosquiada
Já com relação às ovelhas, ainda que desgarradas pela corrupção, como foram Zaqueu e Mateus; ainda que degradadas pela imoralidade como a mulher pega no ato de adultério, ao ouvirem a voz do pastor e o seu esforço de resgatá-las dos despenhadeiros da vida que tanto as afligem, sentem, em caso de necessidade o mais sincero anseio de serem carregadas, cuidadas e posteriormente a grata resignação de se deixarem tosquiar. Verdadeiras ovelhas reconhecem que aquele que as ama tem o direito de esperar que ao se tornarem saudáveis, gerem frutos no aprisco onde estão guardadas, são ovelhas mansas e não bodes ingratos e relutantes.

Ainda com relação ao produzir, as víboras por sua vez não produzem bons frutos – somente mais viborazinhas. 

Para produzirem frutos dignos; somente sendo convertidas pela voz que clama contra elas, sendo transformadas pelo que se conhece como o milagre da metanoia: “Mudança de mente” e conseqüentemente de direção. Se não mudarem, não lhes caberá jamais serem carregadas – não é o seu direito, mas sim o serem cortadas e descartadas; pois assim afirmaram tanto João Batista, como também o supremo pastor - Jesus:

Lucas 3:9 E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo.

João 15:2 Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.

Enfim, raça de víboras é raça de víboras e não ovelha, tanto no conceito de uma voz que clama no deserto, como na voz de um Bom Pastor disposto a dar a vida pelas suas ovelhas.

Palavras de Jesus:
Mateus 23:1; 29; 33 "Então falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos... Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, Serpentes... Raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?"

E no meu, no seu conceito, quem verdadeiramente somos: 
ovelhas, discípulos, hipócritas, raça de víboras?


Abraços a todas as ovelhas


Pastor Derciley

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O que temos a ver com a tragédia ambiental em Resende - RJ?

Resende - natureza e industrialização de mãos dadas
No dia 17 de novembro de 2008, ocorreu um gravíssimo acidente em Resende-RJ, quando pelo menos 8 mil litros de um pesticida vazaram para o Rio Paraíba do Sul, durante o descarregamento do produto no pátio de uma empresa, outrora chamada Cyanamid Química do Brasil (empresa americana) que a princípio passou por um processo de terceirização, sendo assumida posteriormente por ex-funcionários que com muitos esforços, acabaram comprando aquele complexo industrial.

Desejo traçar alguns paralelos relacionados a este fato gravíssimo e a alguns acontecimentos relativos à minha vida: 

O primeiro fato é que sou nascido na cidade de Resende, o segundo é que trabalhei nesta empresa desde os meus vinte anos de idade, por um período de aproximadamente dezesseis anos, o terceiro é que tenho uma formação wesleyana e por muitas vezes tive a oportunidade de pregar o evangelho a colegas de trabalho sendo alguns hoje, graças a Deus, evangélicos. Trabalhei ali em comissões internas de prevenção de acidentes – CIPA, e na área de logística, responsável pelo armazenamento, planejamento e descarga de produtos semelhantes ao que me referi aqui.

Churrasco de confraternização de funcionários - 1983
Pude naquela época, assistir a algumas demandas entre setores produtivos, financeiros e entre responsáveis por segurança (período de 1980 a 1996) e ali ocorreram acirrados debates sobre a necessidade, por exemplo: de se implantar uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE’s), e também em outras questões relacionadas ao investimento em pessoal, em pesquisas e outras. Convivi ali, com muita gente séria, trabalhadora, mas também, com gente gananciosa, insensível às dificuldades do próximo. Enfim foi ali que conheci, no alvorecer da minha vida profissional, as duas faces do sistema capitalista. 

Infelizmente, o acidente foi em minha cidade, na mesma empresa em que eu trabalhei, no rio que por cortar a região mais industrializada do Brasil é considerado o mais importante rio para o progresso da nação. E são das águas deste mesmo rio que os meus conterrâneos tomam banho e também bebem água. É este mesmo rio que corta todo o Estado do Rio de Janeiro, desaguando na cidade de Campos dos Goytacazes - RJ; infelizmente a tragédia foi sem precedentes, para a flora, para fauna, para a agricultura, para os pescadores, enfim, o dano foi enorme.
Foto de Otacílio Rodrigues

Não sei se na época  superestimei o problema, mas o que de certo modo mais me inquietou, é que não fiquei sabendo de nenhum seguimento cristão, que tenha se posicionado oficialmente, nem sobre a mortandade de peixes, nem sobre os 1.200 pescadores que ficaram sem a sua forma de sustento, nem sobre as populações ribeirinhas daquele belo e importante rio, ou mesmo sobre anteriores desmatamentos de suas margens. Nada, nada.

 Cheguei até a pensar que o problema era que eu tivesse mal informado, mas mesmo assim decidi levar esta reflexão a todos nós cristãos de um modo geral, por crer que o problema não seja exclusivamente dos setores público ou privado.

Mortandade de peixes no Rio Paraíba do Sul
Quanto aos meus conterrâneos evangélicos resendenses, quanto aos cristãos fluminenses, quanto aos cristãos brasileiros de um modo geral; será que realmente estamos preocupados com os nossos Rios Paraíba, Tietê, Guandu, São Francisco, Amazonas, e outros... Ou será que alguns, estão entorpecidos pela acomodação da esperança em um futuro, do usufruto de um rio de águas cristalinas jamais poluíveis, que para alguns pseudocristãos, jamais acontecerá?

Então o anjo me mostrou o rio da água da vida que, claro como cristal, fluía do trono de Deus e do Cordeiro”. 
Apocalipse 22:1

Foto do site www.pescaki.com.br
Confesso que fico impressionado como alguns dizem crer na salvação do homem degradado, afirmando que a salvação é direito de todos – dizem, inclusive, professar uma teologia sinergista [1], entretanto pouco importa a alguns as tragédias, isto é, se os seus filhos, os seus irmãos, não fizerem parte da comunidade de pescadores infelizes, de ribeirinhos que não tem outro lugar para morar e que acabam fazendo os seus barracos sem esgoto a beira dos nossos amados rios, entretanto, já poluídos pela depredadora e corrompida máquina global capitalista!

Posso aqui afirmar que, com certeza o que vivemos hoje, é bem parecido com o que aconteceu na Inglaterra do século XVIII, fatos estes que acabaram contribuindo para que a bandeira da teologia social de Wesley viesse a ser desfraldada:

                         “Assim, pois, era o povo, degradado até ao embrutecimento, no caso das classes populares, e corrompido até ao cinismo, no meio das classes intelectuais, que o metodismo se propôs a reformar. Parece que a nação tinha chegado a tal extremo de depravação que só lhes sobrava à alternativa entre perecer ou nascer para uma vida nova”.[2]

Infelizmente, assim como assistimos a tragédia no Rio Paraíba em 2008, temos constatado o aumento de forma descomunal de outras tragédias, e tanto pobres como ricos contribuindo para a degradação tanto de rios, como de lagos e de fontes de águas em geral; e assim inquietos fazemos a grande indagação: o que fazer?

 Particularmente, eu penso como John Wesley, que a nossa preocupação deve ser primeiramente de não ignorar a parte mais sofrida nesta caminhada destrutiva da modernidade - os pobres. 

Quanto aos ricos, devem ser instados a uma atitude responsiva com relação à graça de Deus, que é direcionada a todos os homens indistintamente e não somente a eles. Ainda quanto a estes – os ricos devem ser conscientizados a contribuírem para a restauração da sociedade como fator primordial para a restauração da dignidade humana, sob pena de sofrer as penas inerentes a esta omissão.    

Especificamente, com relação a luta em defesa do meio ambiente, o envolvimento da igreja deve ser em prestar a sua contribuição educativa no sentido de conscientização para preservação e recuperação da natureza, e em decorrência disto envolver sem qualquer preconceito todos os cidadãos: 


pobres, ricos, políticos, religiosos, enfim, todos os homens, a caminharem rumo a um grande diálogo que leve todos, a exercerem plenamente a sua cidadania.

A proposta então, é persuadir a todos quantos cremos que Deus ama, a fazerem uma grande aliança tendo como alvo, mudanças profundas que proporcionem oportunidades melhores para que todos possam crescer na vida.

Enfim, a meu ver, isto é soteriologia social: é não focar a salvação somente no individuo, mas também no espaço público de um modo geral, onde por um lado o homem pode desenvolver a sua salvação e por outro lado, pode acabar se perdendo em decorrência de uma atitude gananciosa e exploradora do seu semelhante.

Assim, concluindo, expando a pergunta do início: O que temos a ver com as tragédias em Resende, em Petrópolis, em Angra dos Reis, em Niterói, na Amazônia, no Japão, enfim em todo o mundo? 
Trabalho de Soteriologia social que fiz quando estudei na Universidade Metodista de São Paulo
Abraços

Pr. Derciley

[1] E esta convicção não deveria nos levar a uma responsabilidade maior? Se todos têm o direito de ser salvo, não devemos como sinergistas, proporcionar-lhes  o acesso a salvação?
[2] Leliévre Mateo - Smith & Lamar, João Wesley sua vida e obra, tradução Gordon Chown: - Editora Vida, pág, 13 – 1997.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Conceito de messianismo

A fim de concluir o curso de bacharel em teologia na Universidade Metodista de São Paulo no polo Petrópolis - RJ, tive na época a satisfação de participar de vários seminários temáticos de Bíblia, entre os quais, um com o interessante tema “messianismo bíblico”, para o qual deveria me preparar com a leitura de alguns textos a seguir:
SCHWANTES, Milton. “O Rei Messias em Jerusalém: observações sobre o messianismo davídico nos Salmos 2 e 110”. In: Revista Caminhando, v. 13, nº. 21, jan-maio de 2008. p. 41-59 e SIQUEIRA, Tércio M. e SANTOS, Suely Xavier “O messianismo no profeta Miquéias”. São Paulo: Cedro, 2008.
smo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte".
Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: "Tu és meu filho; eu hoje te gerei.
Pede-me, e te darei as nações como herança e os confins da terra como tua propriedade.
Tu as quebrarás com vara de ferro e as despedaçarás como a um vaso de barro".

Salmos 2:6-9
"Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte".
Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: "Tu és meu filho; eu hoje te gerei.
Pede-me, e te darei as nações como herança e os confins da terra como tua propriedade.
Tu as quebrarás com vara de ferro e as despedaçarás como a um vaso de barro".

Salmos 2:6-9 
Cheguei naquela oportunidade, a uma conclusão para mim enriquecedora, a qual gostaria de deixar registrada aqui.
Foto  de http://noticias.gospelprime.com.br/guerras-de-israel
                  O conceito de messianismo bíblico segundo constatei, transcendia aos ideais de dominação dos povos que se insurgiam contra a soberania de Javé e de seu ungido. Segundo este estudo, também observei que  este tipo de conceito, que a título de exemplo, foi tão cantado nos nossos chamados corinhos de guerra, “nada contra eles”, acabavam, no entanto, nos apresentando uma característica quase que exclusivamente beligerante de messianismo.  

Assim sendo, pude mais meticulosamente, refletir sobre a ótica messiânica palaciana, que apontava para uma tendência mais expansionista, evocando para isto, o uso dos recursos bélicos e tendo como seu maior símbolo o cetro de ferro.  

 Posso afirmar ainda que na ocasião, continuei não deixando de  reconhecer que este conceito fosse válido, pois sempre entendi que tanto a ótica messiânica expansionista, quanto a ótica camponesa messiânica da ternura pastoral, têm o seu tempo específico de cumprimento, no entanto pude dilatar ainda mais a minha compreensão de que a  primeira não era exclusiva, pois bíblicamente esta tendência meramente expansionista, não contemplava perfeita e completamente as necessidades internas do cuidado simbolizado pelo cajado e pelo ideal hebreu de que a sabedoria e a força de Javé estivessem acima das estratégias humanas de dominação, por mais legítimas estas pudessem aparentar.  
"Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte".
Salmos 2:6

Foto da internet
Pude então, mais claramente, entender que o conceito de messianismo de Miquéias acabou trazendo em sua essência, uma apreciação mais apurada de ideais de governo e de cuidado, levando a todos aqueles que se sustentaram destas expectativas em todos os tempos a compreenderem de forma mais plena, a intenção divina de estabelecer sua autoridade sobre os homens que são exatamente o que Jesus pôde constatar a respeito deles: “como ovelhas sem pastor” e por isso necessitando do cuidado para se conduzirem e se realizarem plenamente e vivendo uma vida de paz

Refleti também que, por nossa vez, nós cristãos carregamos ideais e responsabilidades messiânicas, porque o termo cristão origina-se do título “o Cristo que acabou através dos tempos, incorporando-se ao nome de Jesus, título este que muitos por desconhecimento, pensam ser um sobrenome do Nosso Senhor, mas que realmente não é, pois sabemos que a palavra Cristo é a variante grega da palavra hebraica Messias.

Segue então que ao sermos chamados de cristãos, deveríamos também ser levados a uma reflexão destes ideais e responsabilidades messiânicos diante do mundo, pois este título que carregamos – o de cristãos, faz de nós um povo estritamente messiânico. 

Aproveito, inclusive, para citar aqui uma afirmação extraída do estudo dos textos que fiz naquela oportunidade:    
Às vezes, nós nos esquecemos da dimensão do pastoreio que a comunidade também deve desenvolver. E isso nos faz lembrar que Jesus, ao enviar seus discípulos, manda-os ir, fazer discípulos, batizar e ensinar (Mt 28-18-20). O Messias-Cristo, assim, os comissionou para continuar sua missão. Somos, portanto, responsáveis igualmente pelo pastoreio da comunidade do Senhor, do cuidado mútuo para que haja vida plena”.  

 
Somos levados então, a responder como corpo místico que somos de Cristo Jesus, às indagações dos nossos semelhantes em todos os tempos, carentes deste cuidado pastoral. 



Afirmo ainda, que dentre muitas indagações de sentido implícito que brotam diante deste tema proposto pelos professores Tércio Machado Siqueira e Suely Xavier dos Santos, ficaram registradas duas perguntas no final do texto “O Anúncio do Messias no Profeta Miquéias”, que forçosamente precisavam ser respondidas, as quais  transcrevo aqui com as minhas respostas tendo como objetivo, tão somente enriquecer esta reflexão:
  1. Como temos vivenciado a expectativa messiânica em nossos dias?
A verdade é que por mais que vislumbremos vários aspectos positivos, atualmente, entretanto, vemos com certa apreensão, algumas intenções claras de dominação e subjugação territorial e ostentação de poder “em nome do cristianismo”, o que não cabe dentro da ótica, nem do próprio Senhor dos Cristãos, pois ele rejeitou várias vezes este conceito de messianismo.
  1. A Igreja, como um todo, também tem que desenvolver o cuidado pastoral. Como podemos, na prática, demonstrar que o Messias - Cristo nos enviou para pastorear seu rebanho? Que atitudes demonstram este pastoreio?
 Devemos rechaçar o modelo de subjugação, de dominação, de beligerância religiosa, deixando as ostentações e vanglorias que pretensamente, alegamos evocar para “o reino” e passarmos, realmente usar os ideais messiânicos profetizados por Miquéias do cuidado pastoral, do desenvolvimento, da paz e da dependência do Senhor, que se completam na pessoa do nosso Mestre.  

IMW Central em Petrópolis - uma igreja rica em ministérios - fotos de 2008
Concluindo então, posso afirmar que tenho testemunhado a atuação de ministérios com características messiânicas inspiradas em profecias como as registradas em Miquéias e seguramente posso citar ente outros, o exemplo da Igreja Metodista Wesleyana Central em Petrópolis - RJ, a qual tive a honra de por um período pastorear, ou seja, no mesmo período em que me formei nesta conceituada Universidade.


1.       Nesta igreja assim como em outras que eu conheço, os ministérios constituídos não necessariamente de clérigos mais de leigos - gente simples, do povo, visitam exaustivamente os hospitais, os encarcerados nos presídios e as famílias desanimadas. 

2.       Fazíamos nela uma média de quatrocentos e cinquenta gabinetes pastorais por ano, tendo como objetivo o cuidado e a orientação das ovelhas que estavam vivendo variados tipos de sofrimentos.

Ao concluir, é propício afirmar, entretanto, que ainda que como corpo místico de Cristo que somos e  imbuídos de nossas responsabilidades messianicas diante do mundo, não podemos deixar de reconhecer que:

Há ainda um bom caminho a percorrer até alcançarmos a essência do pleno conceito de messianismo.

Trabalho de Messianismo que fiz quando estudei na Universidade Metodista de São Paulo

Zilda Arns - Saudades!

Shalom Adonai

Derciley

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Expectativas em meio a prenúncios de maus tempos

Existem momentos na vida em que a gente se sente pressionado por todos os lados; parece que a liberdade de gritar para o mundo lá fora e o ímpeto de se transbordar na  plenitude da existência, acabam batendo asas como uma gaivota da paisagem da vida e o azul do céu interior cede lugar para nuvens cinzentas a predizerem um forte temporal.

Sendo assim, aquela brisa suave, que normalmente inspira  alguns poetas, subitamente se avoluma, se transformando em uma impetuosa ventania - são os prenúncios das chuvas, dos temporais, dos dias maus a serem vividos.
Eu mesmo, quantas vezes me debrucei nos umbrais das janelas da minha vida, meditando em meio a ventania uivante e a chuva que caia torrencialmente, a espera do sol que há muito não dava o ar de sua graça e assim me vi  vivendo a expectativa de bons tempos e de "momentos mais felizes"?

Parece até que os raios do sol da liberdade e da realização do mundo que mora lá dentro do peito, ocultam-se persistentemente, atrás de nuvens espessas, negras e imóveis - Ah que sufoco! Que vontade  de sair gritando, mas nem se quer força se tem para se mover um só milímetro das circunstâncias!  

E o que mais entedia, é que nos observatórios de previsão do tempo da vida, parece que sempre existem mais prenúncios de maus que de bons tempos.

Até parece que coisas como: brisa suave, azul fulgurante de um céu emoldurado de brancas nuvens; arvoredos entremeados por raios de um sol que se insinua em incidir-se de modo sorridente, são coisas de duração efêmera na vida. Enfim, na maior parte das vezes, a beleza inspiradora da poesia é quase que plenamente ausente.
Porém, apesar de tudo, ao menos um consolo deve se ter: é que apesar de poucos, ainda mesmo que aparentemente pouquíssimos, existem sim  os tão almejados bons momentos e quando eles chegam e normalmente chegam  após os temporais da vida que trouxeram alguns esvaziamentos e perdas,  tudo então instantaneamente deixa de ser desencanto, fazendo reais os entranhados sonhos: ai tudo parece como cama de nuvens, travesseiro de plumas com  pedacinho do céu!

Belo dia no meu querido Parque Nacional do Itatiaia

Portanto, vale a pena esperar, ainda que em meio aos persistentes temporais  esquivando-se das desilusões, numa incansável luta para fazer com que os prenúncios de maus tempos não sucumbam o desejo da chegada das intensas bonanças, pois é certo que estas sempre surgirão após os terríveis temporais da "vida nossa de cada dia".

 Um texto que escrevi nos meus tempos de escola e que hoje o reencontrei, palavras registradas em uma folha amarelada e envelhecida e  que ficaram esquecidas por um tempo em alguma gaveta   - Expressões de uma época em que sonhei ser versado em literatura.    

Abraços

Derciley

terça-feira, 16 de julho de 2013

Liderança imposta versus liderança conquistada

Sempre afirmo que a liderança não é imposta e sim conquistada. A imposição é a característica que impulsiona os ditadores com os seus regimes despóticos, tirânicos a exemplo do Nazismo Hitlerista.

Já a liderança que é conquistada se inspira no modelo de Jesus, que mesmo sendo o Rei da Glória,  por três anos e seis meses, como maior de todos os mestres, instruindo pacientemente com Suas sábias palavras, mas sobretudo através do Seu próprio exemplo: o do líder que lava os pés dos liderados, que "serve os servos"  do líder que " sem palavras", mas com gestos que retumbantemente falam por si só, como O fez na cruz,  levam homens, de caráter débeis, de motivações reticentes, as vezes desfocados de propósitos, sob o constrangimento do Seu imenso amor que perdoa, que fortalece, que entende, que dá uma nova chance, que faz se sentir útil, importante,  vital à causa,  se tornarem homens parecidos com Ele, dispostos a morrerem por Seu supremo propósito, disseminando Sua mensagem e abalando o mundo a partir dos tempos primitivos da igreja, se perpetuando  através dos séculos.

Reconheço que é muito difícil ser líder com este perfil, mas se assim não for, o modelo adotado certamente não será o de Cristo, o modelo Dele passa pela diplomação e especialização  do  " tome a sua cruz e siga-me".  Se alguns de nós líderes cristãos consideramos difícil esta forma de liderança, perdoe-me, mas devemos optar por sermos administradores de empresas aqui da terra - o que não deixa de ser para aqui na terra uma profissão bastante honrosa.        
                                    
João 13:3-5
 Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido, João 21:17   Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.

Abraços 

Derciley

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Diante de manifestos e protestos - O que fazer?

Ontem no Culto: Vitória para a família em nossa igreja, não esquecemos de pedir para  Deus sarar nossa nação! Entretanto fomos confrontados pela Palavra de Deus:

2 Crônicas 7:14-16   "E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. Agora estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração deste lugar. Porque agora escolhi e santifiquei esta casa, para que o meu nome esteja nela perpetuamente; e nela estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias."

Fomos lembrados que só existe um tipo de obstáculo para Deus não sarar a nossa nação: O não nos  humilharmos, o não orarmos buscando o seu caminho e o não nos convertermos dos nossos maus caminhos. Se tirarmos estes obstáculos, os olhos de Deus estarão ABERTOS e os Seus ouvidos ATENTOS a esta nossa oração: Deus sara esta nação!

Deixo registrado aqui, que respeito as manifestações pacíficas populares, entretanto elas somente refletem a nossa justa insatisfação com a forma insensível como somos tratados e com a forma desrespeitosa como a muito, os governantes vem tratando este país tão lindo e querido que é o nosso Brasil; mas repito, tudo que temos visto nestes dias,  somente expressa o nosso descontentamento. ainda que este seja totalmente lícito.

Mas não deixa de ser verdade, no entanto que nós povo de Deus, sabemos que felizes mesmos, somente seremos quando tivermos o Deus da paz, da justiça e do amor, governando a nossa nação.

Que afirmação consistente para tanta gente que está andando pelas ruas sonhando com um Brasil melhor é a declaração registrada em Salmos 33:12:  "Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo ao qual escolheu para sua herança." 

Fica então, um conselho ao povo de Deus:

Ainda que sejam justas todas estas manifestações pacíficas, temos um caminho ainda mais excelente, o melhor caminho para nós brasileiros apaixonados sim, mas que temos também a consciência de uma outra querida Pátria que temos, assim como afirma a Bíblia:  " Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo" Filipenses 3:20; A recomendação é orarmos pela paz, plantarmos tendo a esperança de colhermos os frutos de um Brasil melhor para nós e os nossos filhos.

Jeremias 29:5-7
"Edificai casas e habitai-as; e plantai jardins, e comei o seu fruto. Tomai mulheres e gerai filhos e filhas, e tomai mulheres para vossos filhos, e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; e multiplicai-vos ali, e não vos diminuais. E procurai a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz"
Abraços!
Derciley

https://www.youtube.com/watch?v=tobYmggV-MU

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Psiu! Há tempo de calar!


“O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer; o tolo, porque tem que dizer alguma coisa” Platão.

Não é em tudo que há discordância entre os pensadores do mundo e a Palavra de Deus. 

Com relação ao falar, afirma as Escrituras Sagradas: 

"Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se" Tiago 1:19.

Como fala forte à consciência cristã o fato de que há tempo de calar, pois até Jesus em alguns momentos se calou.

Entre a cruz e a ressurreição - três dias de silêncio retumbante do meu Senhor

Mas, infelizmente, como existem "crentes" em redes sociais, agindo como anti-sociais e falando sem pensar, ferindo a torto e a direito, desapontando neste caso, tanto a sabedoria secular, quanto a orientação bíblica de se falar menos e pensar mais. 

Assim sendo, espera-se  do homem civilizado que seja sábio ou busque com amor a sabedoria, assim como do cidadão dos céus que seja prudente e não  um tolo. 

Exorto, p
ortanto a alguns que se dizem cristãos e que se jugam sábios aos próprios olhos: Pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, não envergonhem o evangelho, mas falem o estritamente necessário. Exorto ainda aos que realmente são verdadeiros discípulos seus, a pensarem para falar e não ao contrário, porque assim,  mesmo que não desejem como foi o caso de Pedro, certamente estarão emprestando suas bocas ao diabo.

Tenha assim cuidado, pois quem fala muito pode se autoincriminar e neste caso é muito propícia a frase dos policiais americanos ditas aos infratores no ato de prisão: "Você tem o direito de permanecer calado, pois tudo o que você disser será usado contra você no tribunal. 

Quanto a todos os cristãos, com relação a tantas besteiras que se ouve ou se lê por ai, "temos em alguns casos o dever de permanecermos calados" ou em outros casos em  que seja imperioso o falar, que o façamos pensando bem para sermos agentes de desconstrução de todo tipo de sofismas que  tem se levantado para prejudicar a boa palavra que ministra graça aos que a ouvem ou que a leem. 

Seja neste último caso, entretanto e só neste último caso, que não nos calemos, pois aí sim terá chegado o momento de elevarmos a nossa voz com sabedoria e intrepidez, exatamente como nos ordenar o Nosso Deus: 

E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala, e não te cales; Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade. E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus. Atos 18:9-12  

Quero encerrar lembrando aqui outros pensamentos populares que a meu ver, em nada discordam da Palavra de Deus:

"Gentileza gera gentileza"

"Quem com ferro fere, com ferro será ferido".

Abraços! 


Derciley




quarta-feira, 29 de maio de 2013

Esdras e Wesley - Vozes vibrantes através dos séculos

No estudo de ontem sobre os livros da Bíblia que estamos fazendo em nossa igreja, falamos de Esdras sacerdote, descendente de, entre outros, Eleazar, de Finéias e de Hilquias, erudito, educador e instrutor da Lei. 

Na oportunidade lembramos a reforma moral que este escritor bíblico teve que implementar em Jerusalém e na nação de um modo geral, no início do período pós-exílico. Ficou bem claro que sem uma reforma moral, sem a busca por santidade como estilo de vida, e sem comprometimento com as doutrinas bíblicas, fica impossível acontecer o tão esperado avivamento; o máximo que pode acontecer é uma fagulha acesa aqui ou acolá, ou na pior das hipóteses, "Fogo puramente estranho".  

John Wesley - reformador  inglês
Lembramos que o avivamento que começou na Rua Aldersgate em Londres no dia 24 de maio de 1738, na realidade teve o seu embrião, no Clube Santo organizado por John Wesley e seus companheiros e por um vigoroso interesse pela leitura e conhecimento da Bíblia e que levou os avivalistas ingleses a serem apelidados de traças de Bíblia, não podendo esquecer da influência grandiosa dos pietistas moravianos, logicamente. 


Refletimos que para Esdras, assim como para todos os reformadores e avivalistas em todos os tempos, tem sido extremamente difícil levar os seus contemporâneos a uma consciência da necessidade de mudança de paradigmas, em uma sociedade secularizada e corrompida não somente por homens comuns, mas pior que isso por homens que reivindicam para si a postura de homem religioso.
Esdras - reformador judeu

 "É de arrancar os cabelos e a barba, como aconteceu na angustiosa experiência de Esdras".

Para homens como Esdras, John Wesley e outros grandes reformadores, sem mudanças no vértice da pirâmide, constituída pelo Eu verdadeiramente comprometido e pelo séquito dos que respiram seus ideais, é impossível uma reforma genuína, nos moldes da que aconteceu nos dias do eminente sacerdote do período Pós-Exílico, ou nos dias de Wesley que desafiou um mundo racionalista, humanista e corrompido no século XVIII, fazendo deles homens que mudaram o curso da história e não sendo somente um rosto pálido no meio da multidão.    
          

Esdras 9: 1-4
 Depois que foram feitas essas coisas, os líderes vieram dizer-me: "O povo de Israel, inclusive os sacerdotes e os levitas, não se mantiveram separados dos povos vizinhos e suas práticas repugnantes, como as dos cananeus, dos hititas, dos ferezeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos amorreus.
Eles e seus filhos se casaram com mulheres daqueles povos e com eles misturaram a descendência santa. E os líderes e os oficiais estão à frente nessa atitude infiel! "
Quando ouvi isso, rasguei a minha túnica e o meu manto, arranquei os cabelos da cabeça e da barba e me sentei estarrecido!


Abraços a todos!

Pr. Derciley