quarta-feira, 24 de julho de 2013

Conceito de messianismo

A fim de concluir o curso de bacharel em teologia na Universidade Metodista de São Paulo no polo Petrópolis - RJ, tive na época a satisfação de participar de vários seminários temáticos de Bíblia, entre os quais, um com o interessante tema “messianismo bíblico”, para o qual deveria me preparar com a leitura de alguns textos a seguir:
SCHWANTES, Milton. “O Rei Messias em Jerusalém: observações sobre o messianismo davídico nos Salmos 2 e 110”. In: Revista Caminhando, v. 13, nº. 21, jan-maio de 2008. p. 41-59 e SIQUEIRA, Tércio M. e SANTOS, Suely Xavier “O messianismo no profeta Miquéias”. São Paulo: Cedro, 2008.
smo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte".
Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: "Tu és meu filho; eu hoje te gerei.
Pede-me, e te darei as nações como herança e os confins da terra como tua propriedade.
Tu as quebrarás com vara de ferro e as despedaçarás como a um vaso de barro".

Salmos 2:6-9
"Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte".
Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: "Tu és meu filho; eu hoje te gerei.
Pede-me, e te darei as nações como herança e os confins da terra como tua propriedade.
Tu as quebrarás com vara de ferro e as despedaçarás como a um vaso de barro".

Salmos 2:6-9 
Cheguei naquela oportunidade, a uma conclusão para mim enriquecedora, a qual gostaria de deixar registrada aqui.
Foto  de http://noticias.gospelprime.com.br/guerras-de-israel
                  O conceito de messianismo bíblico segundo constatei, transcendia aos ideais de dominação dos povos que se insurgiam contra a soberania de Javé e de seu ungido. Segundo este estudo, também observei que  este tipo de conceito, que a título de exemplo, foi tão cantado nos nossos chamados corinhos de guerra, “nada contra eles”, acabavam, no entanto, nos apresentando uma característica quase que exclusivamente beligerante de messianismo.  

Assim sendo, pude mais meticulosamente, refletir sobre a ótica messiânica palaciana, que apontava para uma tendência mais expansionista, evocando para isto, o uso dos recursos bélicos e tendo como seu maior símbolo o cetro de ferro.  

 Posso afirmar ainda que na ocasião, continuei não deixando de  reconhecer que este conceito fosse válido, pois sempre entendi que tanto a ótica messiânica expansionista, quanto a ótica camponesa messiânica da ternura pastoral, têm o seu tempo específico de cumprimento, no entanto pude dilatar ainda mais a minha compreensão de que a  primeira não era exclusiva, pois bíblicamente esta tendência meramente expansionista, não contemplava perfeita e completamente as necessidades internas do cuidado simbolizado pelo cajado e pelo ideal hebreu de que a sabedoria e a força de Javé estivessem acima das estratégias humanas de dominação, por mais legítimas estas pudessem aparentar.  
"Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte".
Salmos 2:6

Foto da internet
Pude então, mais claramente, entender que o conceito de messianismo de Miquéias acabou trazendo em sua essência, uma apreciação mais apurada de ideais de governo e de cuidado, levando a todos aqueles que se sustentaram destas expectativas em todos os tempos a compreenderem de forma mais plena, a intenção divina de estabelecer sua autoridade sobre os homens que são exatamente o que Jesus pôde constatar a respeito deles: “como ovelhas sem pastor” e por isso necessitando do cuidado para se conduzirem e se realizarem plenamente e vivendo uma vida de paz

Refleti também que, por nossa vez, nós cristãos carregamos ideais e responsabilidades messiânicas, porque o termo cristão origina-se do título “o Cristo que acabou através dos tempos, incorporando-se ao nome de Jesus, título este que muitos por desconhecimento, pensam ser um sobrenome do Nosso Senhor, mas que realmente não é, pois sabemos que a palavra Cristo é a variante grega da palavra hebraica Messias.

Segue então que ao sermos chamados de cristãos, deveríamos também ser levados a uma reflexão destes ideais e responsabilidades messiânicos diante do mundo, pois este título que carregamos – o de cristãos, faz de nós um povo estritamente messiânico. 

Aproveito, inclusive, para citar aqui uma afirmação extraída do estudo dos textos que fiz naquela oportunidade:    
Às vezes, nós nos esquecemos da dimensão do pastoreio que a comunidade também deve desenvolver. E isso nos faz lembrar que Jesus, ao enviar seus discípulos, manda-os ir, fazer discípulos, batizar e ensinar (Mt 28-18-20). O Messias-Cristo, assim, os comissionou para continuar sua missão. Somos, portanto, responsáveis igualmente pelo pastoreio da comunidade do Senhor, do cuidado mútuo para que haja vida plena”.  

 
Somos levados então, a responder como corpo místico que somos de Cristo Jesus, às indagações dos nossos semelhantes em todos os tempos, carentes deste cuidado pastoral. 



Afirmo ainda, que dentre muitas indagações de sentido implícito que brotam diante deste tema proposto pelos professores Tércio Machado Siqueira e Suely Xavier dos Santos, ficaram registradas duas perguntas no final do texto “O Anúncio do Messias no Profeta Miquéias”, que forçosamente precisavam ser respondidas, as quais  transcrevo aqui com as minhas respostas tendo como objetivo, tão somente enriquecer esta reflexão:
  1. Como temos vivenciado a expectativa messiânica em nossos dias?
A verdade é que por mais que vislumbremos vários aspectos positivos, atualmente, entretanto, vemos com certa apreensão, algumas intenções claras de dominação e subjugação territorial e ostentação de poder “em nome do cristianismo”, o que não cabe dentro da ótica, nem do próprio Senhor dos Cristãos, pois ele rejeitou várias vezes este conceito de messianismo.
  1. A Igreja, como um todo, também tem que desenvolver o cuidado pastoral. Como podemos, na prática, demonstrar que o Messias - Cristo nos enviou para pastorear seu rebanho? Que atitudes demonstram este pastoreio?
 Devemos rechaçar o modelo de subjugação, de dominação, de beligerância religiosa, deixando as ostentações e vanglorias que pretensamente, alegamos evocar para “o reino” e passarmos, realmente usar os ideais messiânicos profetizados por Miquéias do cuidado pastoral, do desenvolvimento, da paz e da dependência do Senhor, que se completam na pessoa do nosso Mestre.  

IMW Central em Petrópolis - uma igreja rica em ministérios - fotos de 2008
Concluindo então, posso afirmar que tenho testemunhado a atuação de ministérios com características messiânicas inspiradas em profecias como as registradas em Miquéias e seguramente posso citar ente outros, o exemplo da Igreja Metodista Wesleyana Central em Petrópolis - RJ, a qual tive a honra de por um período pastorear, ou seja, no mesmo período em que me formei nesta conceituada Universidade.


1.       Nesta igreja assim como em outras que eu conheço, os ministérios constituídos não necessariamente de clérigos mais de leigos - gente simples, do povo, visitam exaustivamente os hospitais, os encarcerados nos presídios e as famílias desanimadas. 

2.       Fazíamos nela uma média de quatrocentos e cinquenta gabinetes pastorais por ano, tendo como objetivo o cuidado e a orientação das ovelhas que estavam vivendo variados tipos de sofrimentos.

Ao concluir, é propício afirmar, entretanto, que ainda que como corpo místico de Cristo que somos e  imbuídos de nossas responsabilidades messianicas diante do mundo, não podemos deixar de reconhecer que:

Há ainda um bom caminho a percorrer até alcançarmos a essência do pleno conceito de messianismo.

Trabalho de Messianismo que fiz quando estudei na Universidade Metodista de São Paulo

Zilda Arns - Saudades!

Shalom Adonai

Derciley

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Expectativas em meio a prenúncios de maus tempos

Existem momentos na vida em que a gente se sente pressionado por todos os lados; parece que a liberdade de gritar para o mundo lá fora e o ímpeto de se transbordar na  plenitude da existência, acabam batendo asas como uma gaivota da paisagem da vida e o azul do céu interior cede lugar para nuvens cinzentas a predizerem um forte temporal.

Sendo assim, aquela brisa suave, que normalmente inspira  alguns poetas, subitamente se avoluma, se transformando em uma impetuosa ventania - são os prenúncios das chuvas, dos temporais, dos dias maus a serem vividos.
Eu mesmo, quantas vezes me debrucei nos umbrais das janelas da minha vida, meditando em meio a ventania uivante e a chuva que caia torrencialmente, a espera do sol que há muito não dava o ar de sua graça e assim me vi  vivendo a expectativa de bons tempos e de "momentos mais felizes"?

Parece até que os raios do sol da liberdade e da realização do mundo que mora lá dentro do peito, ocultam-se persistentemente, atrás de nuvens espessas, negras e imóveis - Ah que sufoco! Que vontade  de sair gritando, mas nem se quer força se tem para se mover um só milímetro das circunstâncias!  

E o que mais entedia, é que nos observatórios de previsão do tempo da vida, parece que sempre existem mais prenúncios de maus que de bons tempos.

Até parece que coisas como: brisa suave, azul fulgurante de um céu emoldurado de brancas nuvens; arvoredos entremeados por raios de um sol que se insinua em incidir-se de modo sorridente, são coisas de duração efêmera na vida. Enfim, na maior parte das vezes, a beleza inspiradora da poesia é quase que plenamente ausente.
Porém, apesar de tudo, ao menos um consolo deve se ter: é que apesar de poucos, ainda mesmo que aparentemente pouquíssimos, existem sim  os tão almejados bons momentos e quando eles chegam e normalmente chegam  após os temporais da vida que trouxeram alguns esvaziamentos e perdas,  tudo então instantaneamente deixa de ser desencanto, fazendo reais os entranhados sonhos: ai tudo parece como cama de nuvens, travesseiro de plumas com  pedacinho do céu!

Belo dia no meu querido Parque Nacional do Itatiaia

Portanto, vale a pena esperar, ainda que em meio aos persistentes temporais  esquivando-se das desilusões, numa incansável luta para fazer com que os prenúncios de maus tempos não sucumbam o desejo da chegada das intensas bonanças, pois é certo que estas sempre surgirão após os terríveis temporais da "vida nossa de cada dia".

 Um texto que escrevi nos meus tempos de escola e que hoje o reencontrei, palavras registradas em uma folha amarelada e envelhecida e  que ficaram esquecidas por um tempo em alguma gaveta   - Expressões de uma época em que sonhei ser versado em literatura.    

Abraços

Derciley

terça-feira, 16 de julho de 2013

Liderança imposta versus liderança conquistada

Sempre afirmo que a liderança não é imposta e sim conquistada. A imposição é a característica que impulsiona os ditadores com os seus regimes despóticos, tirânicos a exemplo do Nazismo Hitlerista.

Já a liderança que é conquistada se inspira no modelo de Jesus, que mesmo sendo o Rei da Glória,  por três anos e seis meses, como maior de todos os mestres, instruindo pacientemente com Suas sábias palavras, mas sobretudo através do Seu próprio exemplo: o do líder que lava os pés dos liderados, que "serve os servos"  do líder que " sem palavras", mas com gestos que retumbantemente falam por si só, como O fez na cruz,  levam homens, de caráter débeis, de motivações reticentes, as vezes desfocados de propósitos, sob o constrangimento do Seu imenso amor que perdoa, que fortalece, que entende, que dá uma nova chance, que faz se sentir útil, importante,  vital à causa,  se tornarem homens parecidos com Ele, dispostos a morrerem por Seu supremo propósito, disseminando Sua mensagem e abalando o mundo a partir dos tempos primitivos da igreja, se perpetuando  através dos séculos.

Reconheço que é muito difícil ser líder com este perfil, mas se assim não for, o modelo adotado certamente não será o de Cristo, o modelo Dele passa pela diplomação e especialização  do  " tome a sua cruz e siga-me".  Se alguns de nós líderes cristãos consideramos difícil esta forma de liderança, perdoe-me, mas devemos optar por sermos administradores de empresas aqui da terra - o que não deixa de ser para aqui na terra uma profissão bastante honrosa.        
                                    
João 13:3-5
 Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido, João 21:17   Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.

Abraços 

Derciley

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Diante de manifestos e protestos - O que fazer?

Ontem no Culto: Vitória para a família em nossa igreja, não esquecemos de pedir para  Deus sarar nossa nação! Entretanto fomos confrontados pela Palavra de Deus:

2 Crônicas 7:14-16   "E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. Agora estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração deste lugar. Porque agora escolhi e santifiquei esta casa, para que o meu nome esteja nela perpetuamente; e nela estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias."

Fomos lembrados que só existe um tipo de obstáculo para Deus não sarar a nossa nação: O não nos  humilharmos, o não orarmos buscando o seu caminho e o não nos convertermos dos nossos maus caminhos. Se tirarmos estes obstáculos, os olhos de Deus estarão ABERTOS e os Seus ouvidos ATENTOS a esta nossa oração: Deus sara esta nação!

Deixo registrado aqui, que respeito as manifestações pacíficas populares, entretanto elas somente refletem a nossa justa insatisfação com a forma insensível como somos tratados e com a forma desrespeitosa como a muito, os governantes vem tratando este país tão lindo e querido que é o nosso Brasil; mas repito, tudo que temos visto nestes dias,  somente expressa o nosso descontentamento. ainda que este seja totalmente lícito.

Mas não deixa de ser verdade, no entanto que nós povo de Deus, sabemos que felizes mesmos, somente seremos quando tivermos o Deus da paz, da justiça e do amor, governando a nossa nação.

Que afirmação consistente para tanta gente que está andando pelas ruas sonhando com um Brasil melhor é a declaração registrada em Salmos 33:12:  "Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo ao qual escolheu para sua herança." 

Fica então, um conselho ao povo de Deus:

Ainda que sejam justas todas estas manifestações pacíficas, temos um caminho ainda mais excelente, o melhor caminho para nós brasileiros apaixonados sim, mas que temos também a consciência de uma outra querida Pátria que temos, assim como afirma a Bíblia:  " Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo" Filipenses 3:20; A recomendação é orarmos pela paz, plantarmos tendo a esperança de colhermos os frutos de um Brasil melhor para nós e os nossos filhos.

Jeremias 29:5-7
"Edificai casas e habitai-as; e plantai jardins, e comei o seu fruto. Tomai mulheres e gerai filhos e filhas, e tomai mulheres para vossos filhos, e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; e multiplicai-vos ali, e não vos diminuais. E procurai a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz"
Abraços!
Derciley

https://www.youtube.com/watch?v=tobYmggV-MU

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Psiu! Há tempo de calar!


“O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer; o tolo, porque tem que dizer alguma coisa” Platão.

Não é em tudo que há discordância entre os pensadores do mundo e a Palavra de Deus. 

Com relação ao falar, afirma as Escrituras Sagradas: 

"Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se" Tiago 1:19.

Como fala forte à consciência cristã o fato de que há tempo de calar, pois até Jesus em alguns momentos se calou.

Entre a cruz e a ressurreição - três dias de silêncio retumbante do meu Senhor

Mas, infelizmente, como existem "crentes" em redes sociais, agindo como anti-sociais e falando sem pensar, ferindo a torto e a direito, desapontando neste caso, tanto a sabedoria secular, quanto a orientação bíblica de se falar menos e pensar mais. 

Assim sendo, espera-se  do homem civilizado que seja sábio ou busque com amor a sabedoria, assim como do cidadão dos céus que seja prudente e não  um tolo. 

Exorto, p
ortanto a alguns que se dizem cristãos e que se jugam sábios aos próprios olhos: Pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, não envergonhem o evangelho, mas falem o estritamente necessário. Exorto ainda aos que realmente são verdadeiros discípulos seus, a pensarem para falar e não ao contrário, porque assim,  mesmo que não desejem como foi o caso de Pedro, certamente estarão emprestando suas bocas ao diabo.

Tenha assim cuidado, pois quem fala muito pode se autoincriminar e neste caso é muito propícia a frase dos policiais americanos ditas aos infratores no ato de prisão: "Você tem o direito de permanecer calado, pois tudo o que você disser será usado contra você no tribunal. 

Quanto a todos os cristãos, com relação a tantas besteiras que se ouve ou se lê por ai, "temos em alguns casos o dever de permanecermos calados" ou em outros casos em  que seja imperioso o falar, que o façamos pensando bem para sermos agentes de desconstrução de todo tipo de sofismas que  tem se levantado para prejudicar a boa palavra que ministra graça aos que a ouvem ou que a leem. 

Seja neste último caso, entretanto e só neste último caso, que não nos calemos, pois aí sim terá chegado o momento de elevarmos a nossa voz com sabedoria e intrepidez, exatamente como nos ordenar o Nosso Deus: 

E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala, e não te cales; Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade. E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus. Atos 18:9-12  

Quero encerrar lembrando aqui outros pensamentos populares que a meu ver, em nada discordam da Palavra de Deus:

"Gentileza gera gentileza"

"Quem com ferro fere, com ferro será ferido".

Abraços! 


Derciley




quarta-feira, 29 de maio de 2013

Esdras e Wesley - Vozes vibrantes através dos séculos

No estudo de ontem sobre os livros da Bíblia que estamos fazendo em nossa igreja, falamos de Esdras sacerdote, descendente de, entre outros, Eleazar, de Finéias e de Hilquias, erudito, educador e instrutor da Lei. 

Na oportunidade lembramos a reforma moral que este escritor bíblico teve que implementar em Jerusalém e na nação de um modo geral, no início do período pós-exílico. Ficou bem claro que sem uma reforma moral, sem a busca por santidade como estilo de vida, e sem comprometimento com as doutrinas bíblicas, fica impossível acontecer o tão esperado avivamento; o máximo que pode acontecer é uma fagulha acesa aqui ou acolá, ou na pior das hipóteses, "Fogo puramente estranho".  

John Wesley - reformador  inglês
Lembramos que o avivamento que começou na Rua Aldersgate em Londres no dia 24 de maio de 1738, na realidade teve o seu embrião, no Clube Santo organizado por John Wesley e seus companheiros e por um vigoroso interesse pela leitura e conhecimento da Bíblia e que levou os avivalistas ingleses a serem apelidados de traças de Bíblia, não podendo esquecer da influência grandiosa dos pietistas moravianos, logicamente. 


Refletimos que para Esdras, assim como para todos os reformadores e avivalistas em todos os tempos, tem sido extremamente difícil levar os seus contemporâneos a uma consciência da necessidade de mudança de paradigmas, em uma sociedade secularizada e corrompida não somente por homens comuns, mas pior que isso por homens que reivindicam para si a postura de homem religioso.
Esdras - reformador judeu

 "É de arrancar os cabelos e a barba, como aconteceu na angustiosa experiência de Esdras".

Para homens como Esdras, John Wesley e outros grandes reformadores, sem mudanças no vértice da pirâmide, constituída pelo Eu verdadeiramente comprometido e pelo séquito dos que respiram seus ideais, é impossível uma reforma genuína, nos moldes da que aconteceu nos dias do eminente sacerdote do período Pós-Exílico, ou nos dias de Wesley que desafiou um mundo racionalista, humanista e corrompido no século XVIII, fazendo deles homens que mudaram o curso da história e não sendo somente um rosto pálido no meio da multidão.    
          

Esdras 9: 1-4
 Depois que foram feitas essas coisas, os líderes vieram dizer-me: "O povo de Israel, inclusive os sacerdotes e os levitas, não se mantiveram separados dos povos vizinhos e suas práticas repugnantes, como as dos cananeus, dos hititas, dos ferezeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos amorreus.
Eles e seus filhos se casaram com mulheres daqueles povos e com eles misturaram a descendência santa. E os líderes e os oficiais estão à frente nessa atitude infiel! "
Quando ouvi isso, rasguei a minha túnica e o meu manto, arranquei os cabelos da cabeça e da barba e me sentei estarrecido!


Abraços a todos!

Pr. Derciley

quinta-feira, 7 de março de 2013

Estou contente


Amo as palavras de Paulo e hoje me aproprio deste texto abaixo, pois tenho estado contente com o que Deus tem feito em minha vida e pelo aprendizado que Ele tem me levado a adquirir.

Quer seja em momentos de paz assim como em tempos de guerra, sou feliz por que o meu Deus tem me permitido seguir em frente, mas sobretudo porque sei que Ele tem ido junto comigo na trajetória.

 As vezes as circunstâncias até tentam se impor assim como no vendaval sofrido pelos discípulos no Mar da Galileia, entretanto, Ele se sobrepõe a ela me fazendo sentir que continua soberanamente no controle.

"Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece."
Filipenses 4:11-14

Pr. Derciley

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Minha grande necessidade


Lamentações 3:24-26 
A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.
  Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca.
 Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio.

Judeu ortodoxo no muro das Lamentações
Estive meditando que, em meio a tantas desolações, tristezas e ruínas do sítio bem sucedido de Nabucodonosor sobre Jerusalém, Jeremias estivesse sofrendo demasiadamente!

Quantos amigos, o profeta provavelmente perdera! Quantos morreram no cerco! Talvez este homem de Deus perdera alguns bens materiais! Quantos relacionamentos interrompidos: Alguns afirmam que o jovem profeta Ezequiel teria sido seu discípulo, mas agora o mesmo entre milhares, estava exilado em Babilônia! Quantas advertências, na qualidade de profeta e porta-voz de Deus o mesmo fizera e que não foram atendidas!

Mas consigo ainda vislumbrar um homem de Deus que, apesar de tantas perdas e aflições que o fizeram chorar copiosamente e em alto som [1], ainda sim tinha uma alma profundamente anelante por Seu Deus: 
Percebo as palavras de um homem que, através da inspiração do Espírito Santo, deixa extravasar de sua alma uma necessidade extrema de ter Deus “como sua porção” e de Nele esperar.

 Esta necessidade, para Jeremias, superava todas as necessidades secundárias de estima de amigos e de entes queridos ou de segurança física ou econômica, pois Jerusalém lamentavelmente já havia sido destroçada implacavelmente pelo exercito babilônio.

Protestos contra despejos na Espanha 
A propósito vi domingo, chocado e com tristeza, uma reportagem da aflição e necessidade dos espanhóis diante da crise sem precedentes que se abateu naquela tão nobre nação; povo que aprendi amar entre outras coisas por causa de seus poetas: entre eles Miguel de Cervantes – o meu favorito - com os seus lindos versos de Dom Quixote de La Manha:


“Quem perde seus bens, perde muito, quem perde um amigo, perde mais ainda, porém quem perde a sua coragem perde tudo”

Realmente é muito triste, perder bens, amigos e pior ainda perder a coragem de continuar lutando, porque uns “capitalistas desgraçados” insistem em continuar estabelecendo os paradigmas de valores para  se perpetuarem no poder, “chamando mal de bem” e fazendo girar a máquina global do sistema compressor Babilônico.  

Pobre dos indefesos cidadãos necessitados na Espanha, na Europa em geral ou nos confins do mundo! No entanto, pior será o fim destes miseráveis, sem misericórdia!

Isaias 5:20  “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo ...  24  Pelo que, como a língua de fogo consome a estopa, e a palha se desfaz pela chama, assim será a sua raiz, como podridão, e a sua flor se esvaecerá como pó; porquanto rejeitaram a lei do SENHOR dos Exércitos e desprezaram a palavra do Santo de Israel.!”

Mas ainda sim, preciso discordar em parte de Miguel de Cervantes, pois entendo que quem perde a coragem ainda não perdeu tudo! Perde tudo quem perde a sua esperança no Deus que deve, assim como o no caso do  profeta Jeremias, ser a sua porção!   

Com relação aos remanescentes da catástrofe que se abateu sobre Jerusalém em 9 de Av (agosto) de 586 a.C., Jeremias profetizou:         “Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio”

Enfim, assim como aquela nação sofrida, sem templo, sem muralha, sem rei, deveria entender que tinham necessidade suprema de Deus muito mais que de riqueza, que de aprovações humanas, que de respeito de quem deveria os tratar desta forma, que de reconhecimento e que de honras, também hoje, reconheço que a nossa absoluta necessidade é do Deus de Jeremias!

Não é somente porque ele é bom para os que esperam nele (v 25), nós reconhecemos que precisamos muito de sua bondade, mas sim porque realmente neste mundo de escassez de valores reais e de inversões de valores do aqui já citado global sistema compressor Babilônico” a única porção que verdadeiramente nós temos é o Deus de Jeremias! O Deus da nossa alma!

Que o Deus de nossa alma supra todas as nossas necessidades!

Abraços!

Fique na paz!

Pr. Derciley




[1] O termo “Lamentações”   é a tradução latina do termo grego “Trenoi” que significa “Alto choro” e que ficou traduzido como título do 2º livro profético de Jeremias

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Festas na Bíblia

A proposta para este trabalho é: depois de ter feito uma leitura do elucidativo texto do Dr. Tércio Machado Siqueira que trata do tema Festas na Bíblia, anotar os principais pontos, extraindo do mesmo qual o conceito de festa e de memória nas Escrituras Sagradas. 

Pretendo, portanto, seguir estas etapas a seguir:

Os principais pontos que extraí do texto do ilustre professor:
Antes de começar a elencar os principais pontos do texto, é interessante afirmar que o conjunto de informações é tão objetivamente construído, que acaba proporcionando alguma dificuldade do leitor separar principais pontos, todavia, ainda sim, consigo observar a ênfase que o autor dá aos seguintes:
a. O prazer que os hebreus tinham em celebrar as suas festas, não havendo nenhuma relação desta alegria na celebração com o fanatismo religioso.
b.   O caráter totalmente teocêntrico das festas, em decorrência de uma consciência de que o Deus que formou a nação hebraica era o fundamento da mesma. 
c.    As festas hebraicas, não tinham o mesmo caráter hedonista, de grande parte de nossas festas atualmente, inclusive eclesiásticas, pois mesmo em momentos de angústias, as festas hebraicas apontavam para os momentos redentores de Deus na história da nação, alimentando assim, uma nova esperança para o futuro.

A partir destes pontos posso observar que as festas dos hebreus, mais do que uma forma de celebração, foram instituídas por Deus com propósitos didáticos de levar o povo a não se esquecer da aliança com Ele, revelada no princípio aos seus patriarcas, sendo assim uma forma de manter ativa a memória, ainda que em momentos de angústia:
“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”
Lamentações 3:21

Páscoa Judaica  - Pessach
Chama-me também a atenção, que as festas de Israel são embadasas em princípios éticos, sobretudo, na questão de relacionamentos com o próximo, principalmente com os desafortunados, os excluídos, entre eles os estrangeiros, os órfãos as viúvas, e etc., sem excluir, entretanto, o prazer na realização da festa:   
Deuteronômio 16.10-11 “E celebrarás a Festa das Semanas ao SENHOR, teu Deus, com ofertas voluntárias da tua mão, segundo o SENHOR, teu Deus, te houver abençoado. 11 Alegrar-te-ás perante o SENHOR, teu Deus, tu, e o teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita que está dentro da tua cidade, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão no meio de ti, no lugar que o SENHOR, teu Deus, escolher para ali fazer habitar o seu nome.”
Esta contundente constatação me leva a concluir que o apostolo Paulo como um judeu, instruído aos pés de Gamaliel, se inspirou, a comemorar as novas celebrações cristãs nas igrejas do mundo Greco-Romano, tendo em essência os mesmos conceitos das festas hebraicas: ou seja, com ênfase na ética, na dignidade dos relacionamentos e após a sua conversão,  como memorial de uma nova aliança entre os irmãos em Cristo Jesus, ao mesmo tempo reprimindo os conceitos de festa com tendências hedonísticas comuns das filosofias de vida do mundo de então:

I Corìntios 11:20-34  “Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis. 21  Porque, ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague. 22  Não tendes, porventura, casas onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto, certamente, não vos louvo. 23 Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; 24  e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. 25  Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. 26  Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. 27  Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. 28  Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; 29  pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. 30  Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. 31  Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. 32  Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. 33  Assim, pois, irmãos meus, quando vos reunis para comer, esperai uns pelos outros. 34  Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo. Quanto às demais coisas, eu as ordenarei quando for ter convosco.”

Pentecostes - Festa das colheitas
d.  É também muito interessante a abordagem do Dr. Tércio Machado Siqueira, sobre a não originalidade das festas hebraicas, não deixando, entretanto, de serem passadas pelo crivo da sua religião, tendo como objetivos principais o de ações de graça pelos benefícios de Deus e também como memorial perpétuo, em detrimento total de um mero entretenimento.

Isto, a meu ver, deve nos levar a uma importante reflexão, sobre o processo de secularização dentro das igrejas cristãs, no mundo pós-moderno em que vivemos, no qual me parece que temos seguido o caminho inverso em se tratando da questão “influenciar – ser influenciado”.    
Creio que outros pontos poderiam ser aqui dissecados, entretanto, penso que não seja esta a proposta deste trabalho. Seguirei então, para concluir, respondendo as duas questões citadas na introdução deste trabalho.

 Qual o conceito de festa na BÍBLIA.
Podemos, afirmar, em decorrência dos pontos já aqui salientados que o conceito de festa na Bíblia, pelo menos inicialmente, era de alegria e de gratidão ao Deus da aliança, levando os hebreus a celebrações com propósitos memoriais. Entretanto, conforme a monarquia foi constituída e o tempo passou, puderam-se observar, em função da institucionalização das festas, propósitos estrategicamente relacionados à monarquia podendo ser citado aqui, por exemplo, propósitos unificadores do reino e de promoção da religião estatal, exemplos estes que em si, não eram maléficos, mas que de qualquer forma, acabavam extrapolando ao real sentido da realização destas festas. É interessante também lembrar a esta altura, alguns tipos de festas que embora, não compunham as celebrações periódicas de Israel, mas que acabam sendo um paradigma negativo ao culto de Javé, como foi o caso do culto ao Bezerro de Ouro. A questão que desejo aqui ressaltar é que normalmente, não se vê na Bíblia, qualquer tipo de celebração a Javé, que promova o anarquismo, a imoralidade, enfim jamais se encontra nas Escrituras, uma relação das festas hebraicas com atitudes hedonísticas.

Qual o conceito de memória na BÍBLIA.
Tabernaculos - Sucot
As festas, portanto, tinham, entre outros propósitos, memorizar os feitos de Deus através da história, e sua misericórdia àqueles que Dele carecem. A Bíblia nos mostra que a memória era importantíssima para os hebreus de forma que eles erigiam monumentos e construíam até altares para preservar a lembrança de eventos ou de determinada pessoa. Assim sendo, esquecer de alguém ou de um feito memorável, seria uma atitude descabida, entretanto, existiam pessoas ou feitos que deveriam ser esquecidos como foi o caso do Rei Jeorão, por exemplo. (II Crônicas 21:20).

Festa do Purim
 Livramento  Judaico nos dias de Ester 
Por fim, desejo afirmar que o legado que os hebreus deixaram para aqueles que herdaram as suas tradições: foi entre outras coisas, por exemplo: o de celebrar as suas festas tendo como objetivo: lembrar-se do Deus da aliança, não deixando de se lembrar do próximo, entre os quais, os desafortunados, os órfãos, as viúvas, os estrangeiros, enfim aqueles que deveriam ser envolvidos pela abrangência do amor. Mas é importante não esquecer que esta herança só se tornou plena de significado a partir da releitura destas tradições, feita pelos profetas Isaias, Jeremias e posteriormente por Jesus e os seus apóstolos.  Em suma, este foi o cerne das festas da Bíblia. Quando institucionalizadas, reduzidas a atos de religiosidades perderam em essência o sentido memorial, mas quando reinterpretadas em seu íntimo se tornaram um referencial perene de celebração.

Para encerrar, segue uma tabela com algumas festas bíblicas importantes para o povo de Israel em todos os tempos:

FESTAS BÍBLICAS MOSAICAS
DATAS
Pessach (Páscoa)
15 de Nissan
Shavuot (Pentecostes)
6 de Sivan
Sucot (Tabernáculos)
15 de Tishrei
FESTAS BÍBLICAS PÓS-MOSAICAS
DATAS
Chanucá (Restauração)
25 de Kislev
Purim
14 de Adar ou Adar II





Trabalho que apresentei para o meu curso de Integralização de créditos de Teologia na UMESP
Abraços
Derciley Chaves Bastos