quarta-feira, 29 de abril de 2015

A elogiável ação eclesial/pastoral entre os wesleyanos

O professor Nicanor Lopes da  cadeira de Teologia Pastoral da UMESP solicitou aos seus alunos (dos quais tive a honra de ser um deles), uma participação no blog (http://opiocoisanenhuma.blogspot.com.br/2009/02/outra-evangelizacao-e-outra-missao.html).  Na oportunidade a reflexão era sobre o texto "Pistas para uma ação eclesial/pastoral pertinente e libertadora", postado no blog que é de Paulo Nascimento,  também mestre em psicologia, professor universitário e teólogo

Reproduzo aqui minha participação, com o objetivo de deixar  registrada não somente a minha opinião sobre o tema, então,  bem como a constatação de que estou ainda mais motivado sobre o assunto com o passar dos tempos:  

Imagem do filme Noé, que  foi alvo de críticas
 do Vaticano, conforme o seu jornal oficial “Avvenire” afirmando sobre a 

produção do mesmo de se tratar de uma“oportunidade perdida” 
destacando que o filme mostra um “Noé sem Deus”.
 http://noticias.gospelmais.com.br/vaticano-critica-filme-noe-foi-oportunidade-perdida-66819.html
Sou Derciley Chaves Bastos, aluno da UMESP, e fico feliz de após ter feito uma profunda reflexão sobre o tema: “Pistas para uma ação eclesial/pastoral pertinente e libertadora”, chegar à conclusão de que existem pensadores na atualidade, dispostos a conscientizar de forma, convincente, inteligente e afável os evangélicos que quase de um modo geral, tem um conceito se não distorcido, pelo menos ultrapassado sobre missões. 



O que nós os Noés contemporâneos, estamos fazendo
para apresentar a proposta de uma nova Arca para
os alienados que estão povoando, por exemplo, as cracolândias das grandes
capitais brasileiras? Será que também temos sido "Noés sem Deus"?
Realmente o modelo atual, de missões precisa ser revisto, pois repousa em uma visão que como citado em seu texto: “não reverbera as dores do mundo” e também concordo com o ponto de vista de que o modelo missionário atual, infelizmente é bem parecido com o citado “arquétipo de Noé”, pois existe uma sensível indiferença na atualidade com os alienados, os injustiçados, os discriminados, enfim “aqueles com os quais deveríamos chorar”. Infelizmente, parece não haver uma preocupação dentro dos contextos eclesiásticos, com a acelerada desintegração social que testemunhamos na atualidade. 

Sou grato a Deus, por outro lado, de ver em seguimentos evangélicos, não poucas mobilizações favoráveis. Permita-me citar o exemplo da Igreja Metodista Wesleyana em Petrópolis, onde tenho servido como pastor, onde tenho visto diversificadas atividades que constam no programa desta igreja e que a meu ver se sintonizam com uma “ação eclesial/pastoral pertinente e libertadora” citada em seu texto: Nela são realizadas, por exemplo, as “atitudes de amor”, evento de atividade evangelística e que presta serviços a comunidade, envolvendo: médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e etc.; a igreja tem se organizado em ministérios: entre eles alguns que trabalham especificamente com atendimento a presidiários, outros que trabalham com os idosos, com moradores de rua; se tem também trabalhado na área de alfabetização, e o que tenho testemunhado, é uma comunidade conscientizada em realizar um trabalho de libertação condizente com o evangelho pleno, que liberta “todo o homem e o homem todo”.

Como é bom poder afirmar aqui, depois de passado um tempo, que a visão da minha querida Igreja Metodista Wesleyana, não é restrita somente a uma das inúmeras cidades aonde temos igrejas como o exemplo citado acima, mas que se expande no seu dia-a-dia por todas as regiões do nosso Brasil,  vivendo na sua prática a referida ação eclesial/pastoral pertinente e libertadora.

Destaco aqui, como exemplo, o evento realizado recentemente em Volta Redonda por iniciativa da 6ª. região eclesiástica sob a superintendência do nosso Bispo Roberto Amaral, homem com visão de crescimento, sustentado pela inclusão social, pela sensibilidade com os que estão do lado de fora da "arca", alienados, discriminados, injustiçados pelo sistema global opressor, sistema este sim, contra o qual devemos ser implicáveis e denunciadores proféticos.
Corrente solidária - IMW em Volta Redonda - RJ

Nos sentimos muito gratificados pelo tratamento
dado aos necessitados com distribuição de cestas básicas, tratamento
de enfermagem, atendimento psicológico, 
de lazer para crianças da comunidade. 

Flagrante de um batalhão de "Noés" a postos para saírem  pelas ruas de Volta Redonda,
pregando que a porta da Arca está por se fechar e que é tempo
de excluídos, discriminados, injustiçados aceitarem o convite e

entrarem na Arca.    
"JESUS É A NOSSA ARCA"


Abraços!

Derciley

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Erigindo e restaurando a prática de fazer altares para Deus

 Gênesis 12:7-8
 E apareceu o Senhor a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E EDIFICOU ALI UM ALTAR AO SENHOR, que lhe aparecera. E moveu-se dali para a montanha do lado oriental de Betel, e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente, e Ai ao oriente; E EDIFICOU ALI UM ALTAR AO SENHOR, e invocou o nome do Senhor.
Embora alguns homens tenham ficado conhecidos por belos adjetivos na Bíblia ( Enoque, o homem que andou com Deus, Noé o homem integro que achou graça diante de Deus, Davi, o homem segundo o coração de Deus, Daniel, o homem mui amado), ninguém recebeu um título tão desejado como Abraão:
Tiago 2:23  ... e foi chamado O AMIGO DE DEUS.     
 Abraão é um homem na Bíblia que me inspira, pois sou instado pela palavra do meu Senhor Jesus a  viver a mesma experiência que este homem viveu:
João 15:14 Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 
Entendo que, na prática de edificação de altares, Abraão procurava expressar a sua amizade para com Deus, demonstrando-lhe assim, afeição, reconhecimento de seu favor e devotando-lhe respeito.
Desejo assim destacar a particularidade de três momentos em que Abraão erigiu altares para Deus:
Amizade - o sentimento mais nobre existente entre pessoas
I. Um altar para selar o início da sua relação de amizade:  Gênesis 12:7-8
Abraão respondeu a apresentação de Deus, que lhe fez promessas, erigindo por duas vezes altares e não vejo outra intenção que não fosse de reconhecimento do favor do Novo Amigo,  demonstrando-lhe amizade, desejando se aproximar.

Em outro momento erigiu o seguinte altar:

II. Um altar para reconhecer a prioridade de Deus na sua amizade:
Gênesis 13:18 E Abrão mudou as suas tendas, e foi, e habitou nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor. 
Este versículo está no contexto do final da trajetória de Harã até Canaã, na qual ocorreu a separação entre Abraão e o seu presumível herdeiro sobrinho e inseparável amigo Ló. 

Quero entender que, embora tenha sido frustrante esta separação, ainda sim, o amigo de Deus, teve que entender que chegam momentos que temos que romper com pessoas, coisas, circunstâncias ou vínculos com o passado que acabam minando a prioridade na nossa relação com o Deus que, por sua vez, reclama esta prioridade de intimidade com Ele.
Desta forma, Abraão ao restaurar a prática da edificação de um altar, um tempo depois das primeiras edificações citadas acima, reconheceu a prioridade de “Seu Amigo Deus”, também, por assim dizer, cortando finalmente uma espécie de cordão umbilical emocional, com o seu passado, internalizada na amizade com Ló.  
Tiago 4:5
Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?

Podemos, a julgar pelo contexto, inferir que no caso da amizade entre Abarão e Ló, Deus não determinou rompimento, mas sim prioridade na amizade, não podendo esquecer, entretanto, que existem amizades cujos rompimentos são exigidos por um Deus transcendente sim, mas que misteriosamente busca criar laços de amizade. Vejamos ainda o que diz o mesmo Tiago citado anteriormente:
Tiago 4:4
Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.
  
Seguindo então em frente, conjecturo que depois de muitos tempos (Leia Gênesis 21:34 e 22:1), Abraão teve que restaurar a sua prática de erigir altares e entendo, que desta última vez, a princípio, não o fez por ato espontâneo mas por ordem expressa de Deus, atitude esta que lhe requereu obediência, renúncia e fé.  Mas porque Deus lhe exigiu um altar? Vejamos:

III. Um altar para reconhecer a preeminência de um Deus buscando a reconquista da amizade:
Entendo que, como no caso ocorrido no Monte Moriá, existem altares que devem antecipar a provisão de Deus, devem antecipar o entendimento de quem se dizia amigo de Deus e que até imperceptivelmente com o passar dos tempos, acaba trocando o Deus da provisão, pela provisão de Deus. 

Neste caso da renovação da prática de erigir um altar por parte de Abraão, isto gerou renúncia, precisou de fé e fé em todos os casos sempre será confiar no caráter do Amigo supremo, que no caso em questão, não queria especificamente o Isaque de Abraão e sim o Abraão Dele – um amigo do qual nunca abriu mão. 

O cordeiro substituto - símbolo de Cristo que foi sacrificado
para reconquistar a nossa amizade com Deus

precisando para isto, de uma restauração do altar do sacrifício.
Assim sendo para reavivar uma amizade que perde o brilho, Deus leva o seu amigo ao altar do sacrifício para depois prover o cordeiro, que acaba levando a uma nova restauração do altar da amizade, da alegria, de uma aliança que jamais será quebrada entre um  Deus amigo do homem e de um homem cujo próprio coração deve ser o mais desejado altar de Deus.   

Deixo para encerrar as palavras do Apóstolo Paulo aos Romanos  12:1-2
 Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

Fui convidado a entregar uma mensagem na vigília de algumas igrejas Metodistas Wesleyanas em 17 de fevereiro de 2015 e confesso que, para mim tenha sido desafiador, pois ocorreria na oportunidade além de três mensagens com subtemas correlacionados (Os pregadores deveriam falar sobre o altar inspirado na vida de Abraão), e também com um tempo limitado de 30 minutos. 
Na realidade, tenho que reconhecer aqui que a minha paixão seja pela comunicação escrita e não pela verbal, embora admita o meu esforço para aprimorar-me nesta forma de comunicar. 
Assim sendo, afirmo que o que me instiga e ao mesmo tempo me consola, entre outras coisas por exemplo: é que tenho informação de que embora Carlos Drumond de Andrande tenha sido um dos mais notáveis escritores do Brasil, não aceitava o desafio da comunicação verbal em decorrência do seu temperamento introvertido. 
Ouso ainda em afirmar que, pelo que consta, os maiores escritores tanto do Novo quanto do Antigo Testamento tenham sido relativamente limitados na comunicação verbal (?), pois me parece que foi assim que estes escritores sagrados se definiram como oradores:
Moisés
Êxodo 4:10    Então disse Moisés ao Senhor: Ah, meu Senhor! eu não sou homem eloquente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua. 
Paulo:
2 Coríntios 10:10 Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra desprezível.
Pois bem, foi desejando não deixar perder em essência a meditação que fiz sobre este tema, a qual seria impossível  dissecar em apenas 30 minutos, que escrevi este texto e que ora aqui disponibilizo.
Abraços!

sábado, 31 de janeiro de 2015

Orem continuamente




Na minha última orientação à igreja neste mês de oração à palavra foi:
I Tessalonicenses 5:17 "Orem continuamente"
Levando-se em consideração os tempos presentes, faz-se ainda mais necessário orarmos. Quer seja na escola, na condução se dirigindo ou retornando do trabalho, ainda que sem perder a concentração do que se está fazendo, ainda sim entretanto: "em todo tempo e em todo lugar é tempo de orar".
O mesmo Paulo que afirmou aos Tessalonicenses para orarem continuamente, também afirmou, sob inspiração do Espirito Santo aos Efésios (6:18 a):  
"Orem no Espírito em todas as ocasiões...".
Orientei ainda aos presentes que quando estamos orando, estamos falando menos com as pessoas dos problemas e falando mais com Deus buscando a solução deste problemas; e isto com certeza, além de gerar respostas dos céus, desconstroe conflitos com os que nos cercam aqui na terra.
Enfatizei também que quando encontramos os infindáveis motivos para orarmos continuamente, nos tornamos, entre outra coisas, menos insensíveis com relação aos diversos problemas que as pessoas estão sofrendo. Não é o que afirma a Bíblia em Tiago 5:13 que se está alguém sofrendo, ore? Oremos então pelos que estão sofrendo!
Enfim, entendo que nestes tempos em que o homem que se acha autossuficiente diferentemente do Jeosafá da Bíblia, mas que tem sido confrontado pela maior crise já vivida pelo indivíduo desta geração, o caminho lhe seja o da oração contínua e do reconhecimento que mesmo que em momentos de suas fraquezas, sempre terá à sua disposição o Espirito Santo interagindo com suas orações pedindo socorro Àquele que verdadeiramente é o El-Shaday:
Romanos 8:26- "Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como
orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

A solução então depois de trinta dias de oração e de um mês de tantas retaliações dos dominadores deste mundo tenebroso, é e sempre será: Continuar orando!
Fica aqui a oração do Jeosafá citado acima, passagem que preguei no início deste mês de oração:
II Crônicas 20: 3 ss
“ Então Jeosafá temeu, e pôs-se a buscar o Senhor, e apregoou jejum em todo o Judá. 4 E Judá se ajuntou, para pedir socorro ao Senhor; também de todas as cidades de Judá vieram para buscar ao Senhor. 5 E pôs-se Jeosafá em pé na congregação de Judá e de Jerusalém, na casa do Senhor, diante do pátio novo... 12 Ah! nosso Deus, porventura não os julgarás? Porque em nós não há força perante esta grande multidão que vem contra nós, e não sabemos o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em ti.”




sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O comportamento, o caráter e o tratamento na igreja

O grande problema da igreja atualmente é querer separar espiritualidade de comportamento. Mas a questão é que a vida espiritual não pode ser dissociada de caráter e nem a igreja ser considerada lugar de entretenimento e sim de tratamento.

Só que lamentavelmente vivemos em um tempo em que pessoas insistem em ser destaque nas igrejas, sem aceitarem ser confrontadas e tratadas e isto pode ser qualquer coisa: misticismo, gnosticismo, antinomismo, materialismo, estrelismo, mau-caratismo, secularismo; não tendo nada a ver, entretanto, com cristianismo. 

Conheci pessoas em algumas cidades onde morei que tinham algumas características citadas acima, mas que quando avaliadas no crivo da Palavra de Deus, não tinham nada de cristãs. 

Desejo exemplificar estas característica com fatos ocorridos na minha trajetória, usando nomes fictícios e preservando os lugares, afirmo, no entanto, que os fatos são reais ou misturas de fatos que testemunhei:

Crentes misticistas: Conheci em um certo lugar o pregador Dionísinho, ele ungia todo lugar onde ele passava, orava as pessoas impondo as mãos no calcanhar, mas não passou muito tempo descobriram que: ele que era casado e motorista de ônibus,  tinha um caso com duas meninas de menor e que eram passageiras frequentes das suas viagens, resultado largou a mulher e deixou a igreja.

Crentes gnosticistas: Conheci em outra cidade uma "irmã" que era requisitada em sua igreja por que entregava profecias ou melhor "profetadas". A Afrodileia Imaculada, usava o cabelo e o vestido compridos com mangas também compridas, mas na sua igreja todos sabiam que ela tinha um caso com o cunhado, o qual esperava o seu irmão sair de casa e chegava para se aproveitar da liberalidade da Afrodileia. A filosofia que imperava naquela comunidade era: "Sabe como é? A carne é fraca né!". 
Os gnósticos pensavam exatamente assim o importante era o espírito, pois a carne para eles para nada prestava. Fui embora daquele lugar e não fiquei sabendo qual o fim que o líder espiritual da Afrodileia Imaculada deu àquela situação.  

Crentes Antinomistas: Passei por um outro lugar que tinha uma jovem que ministrava louvor; era a Marcianinha que cantava como uma cigarra!  Só que ela não aceitava que o louvor fosse restringido com tantos cânticos quanto possíveis que se encaixassem dentro do horário, dando-se tempo hábil para a pregação e etc. Os irmãos adultos sempre me procuravam reclamando que não aguentavam de tanto ficarem em pé no culto por que a Marcianinha não aceitava que os irmãos ficassem sentados. Tive que corrigi-la, mas ela não aceitou, a princípio, por que segundo ela o culto tem que ser dirigido pelo "Espírito" e não por homens. Tive que aplicar a esta situação o que está escrito na Bíblia: 
Efésios 4:11-13  
E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,
Ou seja, Deus chamou homens para aperfeiçoar as Marcianinhas da igreja. Este tipo de gente nas igrejas que não aceitam normas são muitas vezes até sem saber, adeptos do antinomismo cujo significado é contra lei, contra normas. Mas a verdade é que Deus levantou homens sim, sob a orientação do Espírito Santo para estabelecer normas e fazer com que tudo transcorra com decência e ordem. 

Crentes materialistas: Nesta mesma igreja as coisas não eram fáceis porque além da Marcianinha o seu irmão o Carlinhos era um dos instrumentistas  que dava a hora da mensagem, saia para fora do templo para tomar uma fresca. Entendeu a dificuldade? A música rolava até a igreja não aguentar e depois quem não aguentava ficar para ouvir a pregação era o Carlinhos o irmão da Marcianinha a mesma que não gostava de normas, isto sem contar com o Henrique e o Máximo que eram os donos dos instrumentos e que além de não contribuírem na Casa do Senhor diziam que: A igreja é que deveria pagá-los por que eles estavam "prestando um serviço para a igreja". E o pior,  depois me confidenciaram que tocavam na igreja, mas ganhavam uns extras também tocando nas noitadas.
  
É bom afirmar que Marcianinha, Carlinhos, Henrique e Máximo são todos hoje meus amigos, mas foram todos para o tratamento sendo disciplinados e alguns restaurados, graças a Deus.        

Crentes estrelistas: existia também um cidadão em um lugar por onde passei há muito tempo que se vestia igual a um cantor pop, que tinha os trejeitos do cantor pop e que decidiu ministrar louvor com músicas no estilo do cantor pop. Vou chamá-lo de Maicão. Pior que o cidadão resolveu cantar com o mesmo chapeuzinho  e etc. E aí me perdoem, mas não deu! Até aceito a ideia de adquirirmos estratégia para levar o evangelho a todos, pois o apóstolo Paulo afirmou: 
1 Coríntios 9:22
Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.    
Mas como nos faz entender o próprio apóstolo, estratégias são meios e não fins. Não me venham os Maicões equivocadamente argumentarem e fazerem da igreja um circo de palhaços, palco de shows ou um trampolim para "o sucesso", pois eu contra-argumento com um pensamento que não é meu, mas de um dos maiores pensadores da igreja de todos os tempos:
Charles Spurgeon
"A igreja deve atrair pela diferença e não pela igualdade"
Assim sendo, tive que falar para o Maicão. tirar o seu "cavalinho da chuva" ou melhor, tirar o seu chapeuzinho da cabeça e respeitar o ambiente sagrado da adoração e do louvor que deve ser exclusivamente para Aquele que é a unica "Estrela da Manha" - Jesus Cristo o Rei dos reis o Senhor dos Senhores.  Apocalipse 22:16

Crentes mau-caratistas:  Pensando nesta classe de pessoas me veio à mente um cidadão de uma igreja x que conheci em um determinado lugar cuja esposa era da minha igreja; vou chamá-lo de Wolf.  Ele andava de terno e gravata até para ir ao mercado, não aceitava que a mulher visse televisão e ficava ligado no rádio o tempo todo no programa do seu "missionário". Só que a sua esposa não aguentou mais e acabou se separando do cara, pois era um completo mau-caráter que praticava coisas que prefiro não citar aqui. enfim, atitude dele era semelhante a dos fariseus reprovados por Jesus, vejamos:
Mateus 23:27
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. 
Culto show em uma igreja americana
Crentes  secularistasMorei ainda em um lugar em que as pessoas eram de boa fé, mas não tinham muito entretenimento. E não demorou muito para vários  crentes incautos, sem ter lugar para comer pipocas, dançar e jogar futebol, encherem uma igreja nova do "estilo show" que estava bombando na cidade. Entre elas foi o Nicholas, alegando que as igrejas somente tem atividades para velhos, mal sabendo ele que igreja não é lugar de entretenimento, não é cinema, não é circo, não é teatro, não é danceteria... mas ele não entendeu e lá se foi curtir.  Deus tenha misericórdia do Nicholas

É interessante observar como nos fóruns de justiça de qualquer cidade as pessoas têm que se apresentar vestidas decentemente, quer sejam jovens ou velhos,  e no ambiente de trabalho também as pessoas tenham que se apresentar vestindo adequadamente, mas os Nicholas, não conseguiram enxergar que podem entrar de short, camiseta, boné e se o clima esquentar sei lá como podem entrar nestas igrejas secularizantes?

 Infelizmente os Nicholas estão caminhando para um mundo sem volta, com o argumento do "Não tem nada a ver". Para estes incautos, se é que a Bíblia, ainda faz algum sentido,  deixo estes versículos:  
Romanos 12:2
Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
2 Timóteo 4:10 a
pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica.
1 João 2:15
Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. 
É uma pena que os Nicholas, assim como foi o Demas dos tempos de Paulo por seguirem a secularização, não terão tempo para aprender que século, mundo no grego (é o sistema mundial em vigor, a presente era corrompida), e que tem um deus que não é o Nosso Deus. Quem é então? Vejamos:
 2 Coríntios 4:4
Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. 
Mas, não fiquei tão desanimado assim, pois maior foi o número de cristãos de verdade que encontrei do que de Dionisinhos, Afrodileias Imaculadas Maicões e Wolfs.

Encontrei muitas pessoas que levam a sério a vida espiritual e que embora sem saber o que significa metanoia, experimentam em Cristo uma verdadeira mudança de mente, que consequentemente, lhes têm gerado um novo comportamento vivendo o que afirma a Bíblia:
2 Coríntios 5:17
Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.
É bom ainda afirmar que muitos destes irmãos também gostavam de se divertir, de ir ao shopping, comer pipocas, mas entendiam que há um tempo determinado para todas as coisas e assim sendo reconheciam que na casa do Senhor não é lugar de entretenimento mas de reverência e de respeito.

Abraços a todos.

Nomes fictícios que foram citados neste texto:
Dionísinho:  De  Dionisio um dos mentores do misticismo nos primeiros séculos tendo sido citado no Concílio de Constantinopla em 538 D.C. Muitas lendas são citadas sobre o seu nome que por não ser o nosso propósito não serão citadas aqui. 
Afrodileia Imaculada:  De Afrodite, deusa grega do sexo, com junção de Imaculada, nome que significa sem pecado. 
Marcianinha:  De Marcião, mentor do antinomismo nos primórdios da igreja  este herege negava qualquer importância real e espiritual ao Antigo Testamento, sendo para ele consequentemente desde a Lei até os profetas, tudo considerado irrelevante e sem mais importância a partir de Cristo, por meio do qual fora estabelecida uma nova relação com os homens.
CarlinhosHenrique e Máximo: Fiz uma composição com o nome e sobrenomes de Karl Heinrich Marx, o mentor do materialismo moderno e que cria que as pessoas economicamente carentes devem realizar uma ação revolucionária organizada para derrubar o capitalismo e trazer a mudança sócio-econômica. Ele afirmou que a religião é o ópio da humanidade.
Maicão: Fiz alusão ao nome de Michael Jackson famoso cantor, compositor, dançarino, produtor, empresário, arranjador americano, considerado o rei do pop. Embora eu seja admirador  do seu talento, penso que a igreja  não precisa imitar a ninguém que seja,
pois Deus dá talentos aos seus filhos para cantarem na igreja e cada um tem a sua qualidade individual.
Wolf: É a tradução para o inglês da palavra lobo. 
Nicholas: É o nome do filho de Harvey Cox, americano mentor da teologia da secularização que defende a tese de que: "Deus é tão presente no secular como nas esferas religiosas da vida". Segundo ele: Longe de ser uma comunidade religiosa de proteção, a igreja deve estar na vanguarda da mudança na sociedade, comemorando as novas formas de religiosidade e encontrar expressão no mundo. Enfim, para ele a igreja e o mundo devem andar de mãos dadas e da mesma forma que o mundo canta, dança e se veste, etc. a igreja deve também fazê-lo.  

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A franca escolha das nações e os contrassensos de suas liberdades

As histórias das civilizações antigas sempre foram caracterizadas pelos grandes heróis que as construíram, pelas grandes batalhas que travaram para fazer dos seus povos nações grandiosas e do apogeu que as “perpetuaram”.
Pirâmides do Egito , uma das sete maravilhas
 do mundo em todos os tempos.
Umas das mais monumentais construções de todas as civilizações

Penso, entretanto, que as ruínas dos povos algumas vezes ocorridas de formas impressionantes, nos transmitem lições ainda mais importantes que as suas glórias, nos convidando a não desprezá-las, sob pena de experimentarmos os mesmos fracassos que estes grandiosos povos no passado enfrentaram.

Posso começar exemplificando com o próprio Israel do Antigo Testamento que após conquistas memoráveis e inspiradoras para todas as nações, teve que encarar o seu inevitável declínio.
E por qual motivo aconteceu o colapso nacional de Israel naqueles dias?  Permita-me que lhe apresente o pensamento de Jeremias, homem que além de ter sido tomado pela inspiração Divina, foi testemunha ocular dos fatos:
Jeremias 2:12-13
Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor. Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas. 
E quanto a mais outras civilizações citadas na Bíblia Sagrada como o Egito dos Faraós e a Babilônia do grandioso Nabucodonosor, o que têm elas a nos ensinar? Não foram todas marcadas por ascensões grandiosas e posteriores deteriorações quase que inexplicáveis?
Assim sendo, não podemos desprezar o fato de que todas as grandes civilizações, sejam nas páginas da Bíblia, sejam nos anais da história que viveram seus momentos de ruínas, tiveram alguns fatores em comum entre os quais, desejo destacar pelo menos dois aqui:
1º.) A perda gradativa (afrouxamento)  dos seus valores morais e,
2º.) A perda de suas convicções religiosas independente de serem judaico-cristãs,  ou outras quaisquer.
E quanto aos tempos da modernidade, não foi exatamente este fenômeno que se repetiu na civilização ocidental, em especial na Europa, que outrora ostentava o domínio dos povos, os subjugando como suas colônias, tanto nas Américas, quanto na África, Ásia e Oceania expandindo-se mais e mais; fazendo o mundo se dobrar aos seus pés. E não tem sido este mesmo glorioso Continente, que tem sucumbido espantosamente aos nossos olhos?
No entanto, diante dos fatos ocorridos orquestrados por extremistas jihadistas no início deste ano de 2015 que chocaram o mundo, desejo expandir a minha reflexão tratando exclusivamente do país europeu cuja capital Paris, é a mais globalizada e lugar de encontro de todas as nações, povos e culturas do mundo contemporâneo.
Manifesto dos governantes mundiais em homenagem aos mortos
em Paris pelos terroristas jihadistas 
Diga-se de passagem, quero deixar registrado aqui que concordo plenamente com aqueles que, embora estarrecidos, tem feito questão de expressar a preocupação em separar estes terroristas que mataram os doze integrantes ou próximos da Revista Charlie Hebdo, dos islâmicos de um modo geral que são um povo pacífico, embora zeloso de propagar a sua convicção religiosa e que no caso da França, fazem o uso do seu direito lícito de usar o lema Liberté, Egalité, Fraternité”  (Liberdade, igualdade, fraternidade), sob o qual se abrigam todos os povos convidados a viverem esta mensagem evidenciada a partir da luta contra as forças opressoras que em tempos idos governaram aquela nação. 
Noite de São Bartolomeu - 24 de agosto de 1572
Uma das mortandades mais sangrentas da França,
dezena de milhares de protestantes foram mortos
traiçoeiramente  sem direito a defesa
Entretanto, não posso deixar de afirmar, que o grande paradoxo desta situação é que a começar pelos tempos de opressão de uma França cujo governo exterminou setenta mil protestantes (cristãos) e em tempos posteriores, de ícones do pensamento francês que contribuíram para que nossos contemporâneos viessem mergulhar não somente nas águas da laicização, mas, sobretudo “na lama de uma falsa liberdade de um Deus cristão”, que bem lhes poderia ser fator de coesão em meio às crises da atualidade, só que, entretanto, fizeram “Deste” uma espécie de inimigo fatal.
Destaco aqui alguns pensamentos sobre “deus”, sobre os homens e sobre o mundo de Jean Paul Sartre, o maior filósofo francês do século XX:
Jean Paul Sartre - filósofo existencialista francês do século XX
"Se existisse Deus, tudo seria exatamente como é."
"Quando, alguma vez, a liberdade irrompe numa alma humana, os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem."
"Eu tinha encontrado minha religião: nada me parecia mais importante que um livro, numa biblioteca eu via um templo."
"Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo."
"O inferno são os outros."

Ao Referir-me, acima sobre ícones do pensamento francês, estava pensando em homens que por meio de refutações ora justas da cristandade, ora injustas do cristianismo, formaram a opinião de um povo sobre a preeminência do humanismo em relação aos ideais cristãos, no século XVIII, como é o caso menos de Jean Jacques Rousseau e mais de Voltaire, mas, sobretudo, do maior existencialista do século XX, o já citado Sartre, que de algum modo acabaram levando, outros a levarem a França a uma encruzilhada sem precedentes.  Desta forma, triste é ser uma nação laica, sem ter um Deus a quem pedir socorro! 
Como salta aos olhos em nossos tempos a palavra do Salmista:
Salmos 144:15 NVI
Como é feliz o povo assim abençoado! Como é feliz o povo cujo Deus é o Senhor!
Por outro lado, ao contrario do pensamento do salmista, os franceses criaram um Estado Laico e até aí tudo bem, não cheguemos a sonhar com um "Estado Cristão", só que infelizmente como se não bastasse, não quiseram nem Deus por perto.
Islâmicos fazendo suas preces em Meca
Mas, voltando ao problema presente... O que dizer por exemplo a 2,5 milhões de religiosos islâmicos, que exigem respeito, esperam ter o direito de usar suas vestes religiosas, e que não abrem mão de convictamente se dobrarem em Paris diante de seu Deus, voltados para Meca?   
E agora, o que dizer a milhões de pessoas que pouco se importam com laicização, mas que clamam por “Liberté, Egalité, Fraternité”?  
Confesso que se pudesse gostaria de obter as respostas dos próprios que fizeram calar a voz de setenta mil protestantes na noite de São Bartolomeu, só porque estes desejavam expressar suas convicções, sua fé, ou até mesmo um sonho latente de “Liberdade, Igualdade e fraternidade” gerado no coração desta tão amada nação!
E quanto aos pensadores da modernidade... Eu  lhes diria: e agora Rousseau, Voltaire e Sartre, o que fazer?
Só posso dizer que, em meio a tanta falta de respostas, diante de uma crescente expansão do islamismo na França e no mundo, diante da expansão missionária das igrejas evangélicas, diante da preocupação do Papa Francisco e do catolicismo de que o mesmo retome seu espaço perdido, diante de um mundo cujas civilizações conquistam, chegam ao apogeu e se definham, que consigamos encontrar ao menos algumas respostas que tragam mais paz, conforto, menos guerras santas, cruzadas, noites de São Bartolomeu,  tristezas e sangues de indefesos!
Para encerrar, quanto a mim, embora respeitando a todos os povos, religiões e convicções, o que espero é ser respeitado na minha não menos inabalável convicção de que chegará um dia em que todos nós amigos: evangélicos, católicos, islâmicos, budistas, céticos, vivendo ou não paradoxos, defendendo ou não o laicismo e mesmo com os “não amigáveis”: contenciosos, extremistas, fundamentalistas, teremos que nos dobrar inevitavelmente diante de Jesus afim de prestarmos contas das nossas liberdades de escolhas. 

Filipenses 2:10-11
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.


Se você não crê como eu, tudo bem! Mas jamais deixemos de nos respeitarmos mutuamente.